terça-feira, 23 de setembro de 2008

Temperança


Raramente há algum alento no mundo subterrâneo do esgoto 616. A Vespa, já sabedora da sina, nem imcomoda-se com os fedores provindo dos compatriotas, mas sim com o próprio.
Lastimável espírito sombrio e degenerado, escondido é sob uma casca de refinação e idiotice. De que lhe adianta olhos perspicáveis, se o que vê é distorcido por sua arrogância? De que lhe adianta o poder de raciocínio, se o discernimento revela sua alma invejosa, imersa em um reino escroto?
A moral, tão orgulhosamente conquistada, é uma terrível companhia. Conselheira mordaz, avisa-lhe a cada instante: "Eu tenho nojo de você".
E assim, navegando nas camadas periféricas de seu cérebro embebido em culpa, segue...
Lugar inóspito para a virtude. Correntes geladas de vento sopram por aqui.
Um punhal cravejado em seu corpo, surge a cada segundo. A Filosofia não serve de fuga. Estagnada, a morada medonha sepulta os supérflos pensamentos. E a sobrevida continua...
RF

4 comentários:

M. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
M. disse...

Até quando continuarás a julgar a vespa tão mordaz e maldosamente?

Rafael Fernandes disse...

Ela merece...

Elis Regina disse...

Não sei se tal 'vespa' mereça toda essa designação...

Não creio que sejá tão má e invejosa.

É quase certo que quem a conhecer, por detrás de sua casca, a verá tão bela, formosa, generosa, grandiosa...

de alma amável.